18 de outubro de 2012

EM 40 ANOS DE MISSÃO NA ÁFRICA, RELIGIOSA SE DIZ REALIZADA

 Uma vida de total dedicação ao povo africano. Assim é a vida de Irmã Josenilde Pietrobon, 73 anos, religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Consolata, que há 40 anos realiza um trabalho missionário em Moçambique.

Agora no Brasil para um período de descanso, a religiosa se diz ansiosa para retornar logo à África e continuar os inúmeros trabalhos que realiza. Enfermeira, catequista, artesã, evangelizadora... em terra de missão não há como realizar um trabalho apenas.

"A nossa vida não se limita a um setor específico porque o nosso fundador sempre dizia: 'primeiro elevem as pessoas como ser humano e depois é que vocês vão semear a semente do Reino na vida dessas pessoas'", explica a religiosa.
Em Moçambique desde 1972, a religiosa acompanhou o país em várias realidades difíceis, na guerra contra Portugal e em uma guerra civil que durou 17 anos. Mas em momento nenhum ela e as outras religiosas pensaram em "abandonar a missão", apesar de todo sofrimento vivido, e dos limites, que chegaram ao extremo, desde a alimentação até moradia.

A permanência insistente foi questionada pelo próprio povo. Mas a resposta era convicta: "Se nós vivemos os momentos felizes com vocês, porque vamos abandoná-los agora que é o momento de maior sofrimento para vocês e para nós? Nós queremos ficar com vocês!"

E foi essa atitude das religiosas que conquistou a confiança dos moçambicanos. "Ele diziam que, ' estas nos amam verdadeiramente, que poderiam ter uma vida melhor na sua terra, mas querem ficar aqui, é porque verdadeiramente é uma missão de Deus'".

Irmã Josenilde conta que a grande motivação para permanecer tantos anos na África sempre foi a certeza de estar fazendo a vontade de Deus.

"Eu sinto que essa é a minha vocação, é a essa vocação que Cristo me chamou, a Ele me consagrei, e consagrando-me a Ele, me consagrei ao povo que ele colocou nas minhas mãos. Minha missão é para a vida. Não é uma missão por um ano, cinco anos, dez anos, mas é por toda a vida. Se eu devo permanecer ali e ali morrer, eu estou realizando ali a minha vocação religiosa missionária", afirma.


Evangelizar um povo de cultura tão diferente é um desafio, e segundo a religiosa, a maior dificuldade vivida, atualmente, pelos missionários é exatamente o fato destes levarem sua cultura e procurarem fazer com que o povo viva de acordo com ela. A religiosa explica que nós temos que ser abertos à cultura deles, e depois, aos poucos, elevá-la. "Aos poucos, cristianizar a cultura deles, o seu modo de ser e de fazer".

Irmã Josenilde destaca que suas superioras sempre orientavam os missionários que iam para terras distantes a, ao menos por um ano, apenas escutar, observar, perguntar para tentar compreender, mas não dizer nada, não se posicionar. Apenas procurar descobrir o que aquele povo necessita e dar a eles o que eles precisam. Só assim, aos poucos, eles irão sentir a necessidade de se abrir a Deus.

A dedicação aos moçambicanos é grande e a religiosa afirma que se sente realizada. "Na minha vida talvez possa fazer pouco, mas na minha oferta de cada dia, na minha oração, no meu testemunho, no anúncio da Palavra de Deus, mesmo ensinando a fazer trabalhos manuais, que possam melhorar a sua vida [do povo], eu me sinto realizada na minha vocação".

Mas o sentimento de realização não vem apenas desse empenho. Irmã Josenilde explica que o segredo dessa felicidade está em "dar tempo a Deus, na oração, dar tempo para a própria formação e dar tempo aos irmãos, em tudo aquilo que eles precisam".

Ela destaca que não é pelo fato de se ter muitas atividades para fazer que precisamos deixar a vida de oração de lado. Ao contrário, é preciso sim ser generoso e disponível em tudo, mas é preciso ser mais generoso consigo mesmo, procurando junto de Deus aquilo que se quer ser junto ao povo.

"Não é tanto falar, falar e falar, mas falar desse povo ao próprio Deus, a Jesus Cristo, aos pés do Sacrário, nas nossas horas de oração e de reflexão. Nós precisamos cultivar a nós mesmos, nesse sentido, porque senão nós não temos nada para dar aos outros depois", ressalta Irmã Josenilde. 

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